
O acesso a documentos técnicos inéditos pelo deputado estadual Sérgio Guimarães (UB), presidente da Comissão de Proteção e Defesa Civil da Assembleia Legislativa, lança nova luz sobre as razões que levaram à interdição da Ponte Anita Garibaldi, na BR-101, em Laguna.
Os relatórios mostram que a decisão de fechar totalmente a estrutura foi tomada após a confirmação do rompimento de dois cabos de protensão em um dos pontos mais críticos da ponte e da constatação de que a seção afetada já não apresentava os coeficientes mínimos de segurança exigidos pelas normas brasileiras. Ao mesmo tempo, os documentos revelam que, mesmo após a interdição, a concessionária responsável pela rodovia admitia ainda não conhecer a origem do que provocou o problema estrutural.
Os laudos analisados por Guimarães foram produzidos pela Beltrame Engenharia, pela consultoria especializada De Miranda Brasil Serviços de Engenharia e pela própria concessionária, em resposta à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A documentação descreve a sequência de fatos que culminou na interrupção do tráfego, as medidas emergenciais adotadas e o estágio das investigações técnicas.
O primeiro relatório, elaborado pela Beltrame Engenharia após inspeções realizadas em três pontos da ponte, identificou o rompimento de dois cabos de pós-tensão — identificados como 4D e 4E — na junta entre as aduelas A6 e A7, no chamado Ponto 1. Além disso, os técnicos registraram fissuras transversais na mesma seção da estrutura. Nos outros dois pontos inspecionados, embora tenham sido constatadas marcas de problemas estruturais já conhecidos desde 2022, não foram encontrados novos rompimentos de cabos.

Com base nesses resultados, a empresa De Miranda Brasil emitiu uma carta técnica recomendando a interdição imediata da ponte. Segundo os engenheiros, a análise estrutural concluiu que a seção onde ocorreram os rompimentos apresentava grau de segurança inferior ao exigido pela Norma Brasileira (NBR), tornando a estrutura incapaz de suportar as cargas móveis previstas em projeto. O documento afirma que, nas condições verificadas, apenas a circulação restrita de veículos de serviço poderia ser admitida até a recuperação da seção comprometida.
Outro aspecto que chama atenção na documentação é a resposta encaminhada pela concessionária ViaCosteira à ANTT poucos dias após a interdição. Apesar de informar que todas as medidas emergenciais estavam sendo executadas com base nos pareceres técnicos, a empresa reconhece que “até o momento não foi possível identificar a origem da patologia”. O documento esclarece ainda que o novo problema ocorreu na mesma seção da ponte onde houve intervenções em 2022, mas ressalta que os cabos rompidos agora são diferentes daqueles que apresentaram falhas na ocasião anterior.
A resposta à agência reguladora também apresenta um histórico das inspeções realizadas desde outubro de 2022, quando foram identificadas as primeiras anomalias estruturais. O cronograma mostra que a ponte passou por monitoramentos anuais, provas de carga, ensaios e diversas campanhas de investigação até que, agora, os novos ensaios apontaram a necessidade de restrição total do tráfego.
O relatório informa ainda que as equipes passaram a trabalhar em regime de 24 horas por dia para executar as obras emergenciais, que incluíram reforço estrutural com graute e epóxi, fechamento das janelas abertas para investigação, recalibração dos estais e preparação para o retensionamento das cordoalhas. A previsão era concluir os reparos emergenciais antes da emissão de um novo laudo técnico que definiria se haveria condições de liberar novamente o tráfego.
Após analisar toda a documentação, Sérgio Guimarães defende que a ANTT realize uma nova vistoria técnica independente na Ponte Anita Garibaldi para verificar as condições atuais da estrutura e acompanhar o avanço das investigações, especialmente diante do fato de que, no momento da interdição, nem mesmo a concessionária conseguia apontar a causa do rompimento dos cabos de protensão.
Partido dividido

O impasse no Progressistas segue sem nenhum movimento pela pacificação do partido. De um lado, o senador Esperidião Amin, o deputado estadual Altair Silva e alguns prefeitos e lideranças que desejam estar no projeto com o PSD de João Rodrigues. De outro, os deputados estaduais Pepê Collaço e Zé Milton Scheffer, a maioria dos prefeitos e lideranças que defendem seguir com o governador Jorginho Mello (PL). Uma fonte ligada ao partido me disse ontem que o Progressistas disputará a eleição dividido. Segundo afirmou, alguma solução terá que ser encontrada por meio de um acordo para evitar qualquer confronto que prejudique o partido e o projeto de reeleição do senador Esperidião Amin, o que, segundo a liderança, é prioridade. “A disputa ao governo nos afasta, mas a eleição do senador Amin é o que nos une e nos motiva”, afirmou.
Possibilidades
Outra fonte ligada ao Progressistas relatou que poderão ser colocadas à mesa duas possibilidades: que cada lado siga sem o CNPJ, o que, pela lei, é impraticável; que haja uma possível liberação nacional com efeitos aqui no estado, caso o partido não apoie Flávio Bolsonaro (PL) para presidente; ou até mesmo que o CNPJ fique com Amin, desde que ele libere os que estão com Jorginho Mello (PL) para fazer campanha para o governador. Outro ponto lembrado é que o Progressistas segue ocupando cargo no governo. Leodegar Tiskoski é o secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços. A fonte entende que essa situação atrapalha um eventual discurso do partido de oposição a Jorginho.
Movimentos
Alguns movimentos estão ocorrendo no Progressistas em algumas regiões do estado. Silenciosamente, está sendo feito um trabalho em algumas regiões para tentar conquistar lideranças para o projeto com o PSD. Independentemente do resultado dessas movimentações, as fontes têm razão quanto ao fato de que o Progressistas irá dividido para o pleito estadual. Na condição de presidente estadual, o senador Esperidião Amin marcou a convenção para o próximo dia 31, na sede do partido, a partir das 17h. Detalhe: o encontro será misto, ou seja, quem quiser participar on-line não precisará comparecer presencialmente.
Perda de tração?

Uma análise de setores da direita é de que a falta de coragem da deputada federal Carol de Toni (PL) para enfrentar a imposição da candidatura do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado por Santa Catarina fez com que ela perdesse apoios. A leitura é feita com base nos dados da pesquisa de ontem, que mostram que Carol caiu significativamente no primeiro voto, mas lidera no segundo. “O primeiro voto é um voto de convicção. Portanto, isso mostra que o eleitor perdeu um pouco da convicção que tinha nela. Ela fez e faz campanha para um cara (Carlos) que poderá tirar a vaga dela no Senado”, afirmou uma liderança do PL.
Está no teto?

Uma leitura da pesquisa IPC, contratada pela Associação Catarinense de Jornais, é de que o pré-candidato ao Senado Décio Lima (PT) pode estar próximo do seu atual teto eleitoral. Ele aparece com 27% das intenções de voto, sendo 16,8% no primeiro voto — o chamado voto de convicção — e 10,2% no segundo. Mesmo que avance alguns pontos percentuais, ainda teria dificuldade para alcançar os três primeiros colocados. O principal desafio de Décio é que seu nível de conhecimento junto ao eleitor já é muito alto. Ex-candidato ao Governo do Estado e uma das principais lideranças do PT em Santa Catarina, ele já consolidou boa parte do seu eleitorado. Ou seja, quem pretendia votar nele, em grande medida, já demonstra essa intenção.
Diferença
O fato de ser uma liderança consolidada no campo da esquerda aqui no estado é um fator preocupante para o pré-candidato ao Senado Décio Lima (PT), diante dos números apresentados pela pesquisa. Para ter uma ideia, o pré-candidato ao Governo do Estado Gelson Merisio (PSB), aparece com quase 9% das intenções de voto por ainda estar passando por um processo de aceitação junto ao eleitorado do campo progressista. Portanto, Merisio ainda tem para onde expandir, enquanto Lima tem um espaço muito curto. Em suma, a questão não é se Merisio vai crescer, mas a partir de quando começará a crescer.
Neutralidade

O prefeito de Jaraguá do Sul, Jair Franzner (sem partido), disse ao OCP News que está pensando em ficar neutro na eleição deste ano. “Pode ser que eu mire para um, ou não, mas, por enquanto, vamos deixar assim, que está bom”, afirmou. Para Franzner, sua decisão de parar em 2028 faz com que não vejam vantagem política em seu apoio. Também disse que foi procurado tanto pelo governador Jorginho Mello (PL) quanto pelo ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD), em busca de seu apoio. O prefeito, após uma articulação do deputado estadual Maurício Peixer (PL), chegou a entrar em um entendimento para se filiar ao PL, antes da declaração de neutralidade dada ontem.
Tarifaço
O Governo do Estado informou, por meio de nota, que está fazendo o levantamento de dados para dimensionar os impactos efetivos das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre a economia catarinense. Equipes técnicas do Estado já iniciaram tratativas com a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) para avaliar os reflexos desse novo cenário sobre os diferentes setores produtivos e estudar eventuais medidas que possam mitigar os efeitos da decisão sobre as empresas catarinenses. As medidas adotadas em 2025, no primeiro tarifaço, representaram aproximadamente R$ 435 milhões em apoio financeiro e tributário aos negócios impactados.
Análise da Fiesc
O economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, avalia que a redução da alíquota nominal para 37,5% esconde uma armadilha: os concorrentes globais pagarão tarifas menores, o que vai reduzir a competitividade dos produtos brasileiros. De acordo com Bittencourt, a tarifa efetiva sobre a pauta catarinense ficará em cerca de 35,9%, devendo provocar, no prazo de um ano e meio, a perda de 20 mil a 25 mil empregos.






