
A nova pesquisa da Neokemp, contratada pelo OCP News, realizada entre os dias 22 e 23 de julho, com 1.008 eleitores em 100 municípios catarinenses, confirma um cenário de estabilidade na disputa pelo Governo do Estado. O governador Jorginho Mello (PL) segue liderando com ampla vantagem, mantendo condições de vencer a eleição ainda no primeiro turno. Ao mesmo tempo, o levantamento revela movimentos importantes entre os principais concorrentes. Gelson Merisio (PSB) começa a consolidar sua candidatura junto ao eleitorado de centro-esquerda, enquanto João Rodrigues (PSD) mantém a segunda colocação e preserva potencial de crescimento.
Na pesquisa estimulada, Jorginho Mello aparece com 52,8% das intenções de voto. João Rodrigues registra 20,3%, Gelson Merisio soma 8,2%, Marcelo Brigadeiro (Missão) aparece com 2,5% e Ralf Zimmer (PRD) tem 1,7%. Outros 9,2% disseram não saber em quem votar, e 5,3% afirmaram que votariam em branco ou anulariam o voto.
A principal leitura da pesquisa é a consolidação da liderança de Jorginho. O governador praticamente não apresenta mobilidade eleitoral, mas também não sofre desgaste suficiente para reduzir sua vantagem. O levantamento da Neokemp demonstra essa estabilidade. Em maio, ele registrava 54,2% das intenções de voto. Em junho, caiu para 52,3% e, agora, aparece com 52,8%, oscilações que permanecem dentro da margem de erro da pesquisa. Na prática, trata-se de um eleitorado consolidado.
João estável
João Rodrigues aparece novamente na segunda colocação, com 20,3% das intenções de voto, praticamente repetindo o desempenho registrado nas pesquisas anteriores. O levantamento mostra que sua candidatura alcançou um patamar de estabilidade, consolidando um eleitorado próprio, mas ainda sem conseguir reduzir, de forma significativa, a vantagem do governador.
Seu desempenho demonstra que há um eleitorado fiel à sua candidatura, especialmente nas regiões onde construiu sua trajetória política, mas também evidencia que ainda será necessário ampliar sua presença em outras partes do Estado para tornar a disputa mais competitiva. Embora mantenha a segunda colocação, João ainda enfrenta o desafio de romper a estabilidade do cenário. Hoje, a diferença para Jorginho supera os 30 pontos percentuais, o que demonstra que sua candidatura precisará conquistar uma parcela significativa dos eleitores que atualmente apoiam o governador ou que ainda permanecem indecisos.
Merisio consolidando
Entre os candidatos da oposição, quem talvez apresente o movimento político mais relevante seja Gelson Merisio. Embora registre 8,2% das intenções de voto, o pré-candidato do PSB demonstra que já conseguiu consolidar uma parcela importante do eleitorado identificado com a centro-esquerda catarinense, antes mesmo do início oficial da campanha.
Na prática, Merisio já conquistou aproximadamente metade do eleitorado desse campo, um desempenho considerado positivo para uma candidatura que, por estratégia, ainda possui baixa exposição estadual e depende do início efetivo da campanha para ampliar seu alcance.
Outro fator que pode favorecer sua candidatura é a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no processo eleitoral. Lula é o principal padrinho político de Merisio e tende a intensificar sua presença em Santa Catarina durante a campanha, fortalecendo a identificação do eleitorado progressista com a candidatura do PSB. Historicamente, candidaturas apoiadas pelo presidente costumam crescer durante a campanha, com potencial para levar Merisio a brigar pela segunda colocação.
Rejeição mostra desafios
A pesquisa também mediu a rejeição dos pré-candidatos ao Governo do Estado. Gelson Merisio lidera esse indicador, com 32,3%, seguido por Jorginho Mello, com 27,1%. João Rodrigues aparece bem abaixo, com 7,4%. Marcelo Brigadeiro registra 5,7%, e Ralf Zimmer, 4,9%.
Embora Merisio apresente o maior índice de rejeição, esse dado exige uma leitura mais ampla. Por ser um estado em que a maior parte do eleitorado se identifica com a direita, é natural que qualquer candidatura da esquerda apresente o maior índice de rejeição. Portanto, o dado se refere muito mais ao campo político do que ao próprio Merisio.
No caso de Jorginho Mello, a rejeição de 27,1% é considerada relativamente natural para quem ocupa o cargo de governador. O chefe do Executivo concentra o desgaste provocado pelas decisões administrativas, pelas cobranças da população e pela própria exposição diária do governo. Ainda assim, o índice não compromete seu favoritismo, já que sua intenção de voto é praticamente o dobro da soma de todos os adversários, mantendo condições de vencer a eleição ainda no primeiro turno.
João Rodrigues apresenta o menor índice de rejeição entre os principais candidatos. Os 7,4% demonstram que sua candidatura encontra pouca resistência entre os eleitores, fator que representa potencial de crescimento ao longo da campanha. Por outro lado, esse dado também pode indicar que o prefeito de Chapecó ainda não alcançou o mesmo nível de conhecimento estadual de Jorginho Mello, especialmente em regiões onde sua atuação política é menos conhecida. O desafio será transformar essa baixa rejeição em maior intenção de voto à medida que sua candidatura ganhar mais visibilidade.
Brigadeiro pode crescer
Na parte inferior da pesquisa, Marcelo Brigadeiro aparece com 2,5%, mas é o candidato que reúne maior possibilidade de evolução proporcional. Sua candidatura poderá ser impulsionada caso Renan Santos consiga ampliar sua presença na disputa presidencial.
Dados da pesquisa
A pesquisa foi realizada pelo instituto Neokemp Pesquisas entre os dias 22 e 23 de julho de 2026. O levantamento ouviu 1.008 eleitores em 100 municípios de Santa Catarina, por meio de entrevistas automatizadas, utilizando o sistema URA (Unidade de Resposta Audível). A pesquisa é quantitativa, por amostragem, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O universo pesquisado corresponde aos 5.729.914 eleitores catarinenses, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de maio de 2026. O questionário foi estruturado e padronizado, com as mesmas perguntas aplicadas a todos os entrevistados, sem indução de respostas, garantindo a representatividade da amostra e a confiabilidade dos resultados.









