Análise da pesquisa ao Senado; Adriano mantém distância de Zema; Naatz pede expulsão de Hildebrandt do PL


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Marcelo Lula

Nova pesquisa mostra vantagem para Carol e Carlos, mas Amin segue fortalecido no cenário — Imagem: TRE

A nova pesquisa da Neokemp para o Senado acrescenta mais um retrato de uma disputa que ainda está longe de apresentar um favorito definitivo. Como as candidaturas sequer foram oficializadas e a campanha eleitoral ainda não começou, o levantamento deve ser interpretado como uma fotografia do momento, e não como uma tendência consolidada.

O principal dado da pesquisa é a liderança de Carlos Bolsonaro (PL) no primeiro voto, seguido por Caroline de Toni (PL). Quando se observa a soma do primeiro e do segundo voto — critério relevante em uma eleição em que o eleitor escolhe dois candidatos — ambos aparecem novamente à frente dos demais concorrentes.

Ainda assim, o cenário recomenda cautela. Nas últimas semanas, diferentes institutos têm registrado oscilações importantes entre os pré-candidatos, indicando que o eleitorado continua em processo de formação de opinião. É um comportamento esperado para uma eleição que ainda não entrou oficialmente no período de campanha e em que alianças, definições partidárias e a própria exposição dos candidatos ainda podem alterar significativamente o quadro.

Outro aspecto que chama atenção é que Caroline de Toni combina bom desempenho nas intenções de voto com uma das menores rejeições do levantamento. Já Carlos Bolsonaro lidera a pesquisa mesmo apresentando a maior rejeição entre os candidatos testados. Isso demonstra que ambos chegam à dianteira por caminhos diferentes: um sustentado por uma base eleitoral bastante mobilizada e outro por uma aceitação mais ampla entre os entrevistados.

No segundo grupo aparecem Esperidião Amin e Décio Lima, praticamente empatados na soma dos dois votos, enquanto Antídio Lunelli permanece em um patamar abaixo, mas ainda com espaço para crescer, considerando que a campanha sequer começou e que uma parcela dos eleitores continua indecisa ou ainda pode alterar sua escolha. Importante sobre Amin, é a baixa rejeição.

Em uma eleição para o Senado, a dinâmica costuma ser diferente das disputas para governador ou presidente. O segundo voto frequentemente muda ao longo da campanha e é influenciado por alianças, estratégias partidárias e pelo voto útil. Por isso, embora a pesquisa apresente um cenário favorável aos dois candidatos do PL neste momento, ainda há um longo caminho até a definição das duas vagas.

Comparação

Em relação ao levantamento do IPC, publicado em 16 de julho, a principal diferença está na fotografia apresentada pelos dois institutos. Enquanto o IPC mostrava uma disputa mais equilibrada entre Carlos Bolsonaro, Caroline de Toni e Esperidião Amin, a pesquisa da Neokemp aponta uma vantagem maior para os dois candidatos do PL.

Essa comparação, entretanto, deve considerar um fator importante: as metodologias são diferentes. O IPC realizou entrevistas presenciais com 1.050 eleitores em 54 municípios, entre os dias 9 e 13 de julho. Já a Neokemp utilizou entrevistas telefônicas automatizadas (URA), ouvindo 1.008 eleitores em 100 municípios nos dias 22 e 23 de julho. Ambas as metodologias são reconhecidas pela Justiça Eleitoral e, quando aplicadas corretamente, oferecem segurança estatística. Por isso, as diferenças observadas entre os levantamentos podem decorrer tanto da evolução do cenário quanto das características próprias de cada método de coleta.

As diferenças metodológicas, somadas ao intervalo de tempo entre as coletas e ao fato de a campanha ainda não ter começado oficialmente, ajudam a explicar as oscilações verificadas entre os levantamentos. Mais do que indicar uma mudança definitiva no cenário, as duas pesquisas reforçam que a disputa pelo Senado permanece aberta e sujeita a variações à medida que o processo eleitoral avançar.

Carol em alerta

Passividade de Carol em relação a Carlos pode custar a eleição — Imagem: Divulgação

Uma leitura dos bastidores, baseada no histórico das pesquisas, é de que o senador Esperidião Amin (Progressistas) brigará por uma das vagas e que Carlos Bolsonaro (PL) e Carol de Toni (PL) terão que disputar espaço. Hoje, um entendimento quase unânime é de que, se Carol não se afastar e, até mesmo, não iniciar uma disputa com o ex-vereador do Rio de Janeiro, poderá sobrar no fim da eleição. A postura passiva da deputada em relação à candidatura de Carlos tem sido muito criticada.

Pesquisa suspensa

A Justiça Eleitoral suspendeu mais uma pesquisa de intenção de voto para o Governo do Estado e o Senado em Santa Catarina por irregularidades na metodologia. O levantamento da MAPA Marketing foi barrado após apresentar bairros inexistentes, locais de entrevistas não identificados, ausência de dados obrigatórios sobre os eleitores e inconsistências no questionário. É a segunda pesquisa suspensa no Estado em pouco mais de um mês. A anterior, do Instituto Veritá, também foi alvo de decisão judicial após incluir cidades do Maranhão na amostra destinada a Santa Catarina. O TRE-SC determinou a retirada imediata da pesquisa e concedeu prazo de dois dias para que as empresas responsáveis apresentem defesa.

Encerrando a pré-campanha

Pré-campanha de Rodrigues ao Governo do Estado encerrará no Extremo-Oeste – Imagem: Divulgação

O ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), encerrará sua agenda de pré-campanha no Extremo-Oeste. O roteiro começa amanhã e deve ter a participação do senador Esperidião Amin (Progressistas), do deputado estadual Antídio Lunelli (MDB), que disputarão vaga ao Senado, e do deputado federal Carlos Chiodini (MDB), pré-candidato a vice. A agenda começa por Chapecó. Depois, passará por Bom Jesus, Ouro Verde, Abelardo Luz, São Domingos e Coronel Martins. Também há evento marcado para São Lourenço do Oeste. Na quinta-feira (30), o roteiro será em Palma Sola, Anchieta e Guaraciaba durante a manhã. No período da tarde, a agenda será em São José do Cedro e Dionísio Cerqueira.

Longe de Zema

Adriano se afastou de Zema para preservar a relação com Jorginho — Imagem: Marcelo Lula

O ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), pré-candidato a vice na chapa do governador Jorginho Mello (PL), não foi à convenção nacional que confirmou o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como candidato à Presidência da República. Conforme já abordei na coluna, Silva se afastou de Zema desde que o mineiro criticou o candidato Flávio Bolsonaro (PL) pela relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o que azedou a relação do Novo com o PL.

Neutralidade

Adriano Silva (Novo) deverá optar pela neutralidade no primeiro turno da eleição nacional. Segundo uma fonte, não deve anunciar apoio a Romeu Zema (Novo), mas também não irá apoiar nenhum outro nome para não prejudicar o projeto de seu partido. Desde o início da crise entre Zema e o PL, Silva priorizou sua relação com o governador Jorginho Mello (PL), de quem será vice na chapa.

Grando responde

Grando falou sobre o projeto de concessão das rodovias – Imagem: Secom

O secretário de Estado da Infraestrutura, Ricardo Grando, se manifestou sobre as críticas do pré-candidato ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSB), divulgadas ontem pela coluna. Segundo Grando, sobre o projeto citado por Merisio, o Governo Federal propôs um pacote de concessões das rodovias federais com as estaduais. Ele explica que, em 2023, no início da gestão Jorginho Mello (PL), foi apresentado ao Estado um pedágio de R$ 18 a cada 100 quilômetros. “A gente não concordou com isso”, afirmou. Ele explica que o Governo Federal menciona o valor de R$ 24 bilhões, o que, segundo Grando, é a projeção de arrecadação com pedágio e posterior investimento. “Existe um estudo feito em 2015 que apontava a necessidade de 502 quilômetros de duplicação. Com esse pacote de concessão, que foi prorrogado, reduziram para 80 quilômetros”, destacou.

Duplicação

Quanto às duplicações, o secretário de Estado da Infraestrutura, Ricardo Grando, afirma que está sendo executada a duplicação entre Guaramirim e Maçaranduba. Ele destaca ainda a triplicação da SC-401, a duplicação do acesso a Içara, saindo da BR-101, e a duplicação do trecho entre Criciúma, Cocal do Sul e Urussanga.

Clima quente

Ivan Naatz publicou vídeo pedindo a expulsão de Mário Hildebrandt do PL — Imagem: print do Instagram

O deputado estadual Ivan Naatz (PL) subiu o tom contra o ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt (PL). O parlamentar anunciou ontem que pretende pautar, na direção estadual do Partido Liberal, um pedido de expulsão de Hildebrandt, sob a justificativa de que está sendo cobrado sobre o posicionamento do partido em relação às operações do Gaeco que investigam contratos da prefeitura na gestão do ex-prefeito. “Mais de 40 obras públicas estão paralisadas por conta das operações contra as fraudes. A minha trajetória contra a corrupção não me permite ficar calado”, afirmou. Vale lembrar que Naatz disputará a reeleição à Alesc e Hildebrandt também tentará uma vaga no Parlamento estadual.

Egídio reforçou

Ferrari engrossou as críticas contra a gestão de Mário Hildebrandt – Imagem: Rede Social

Na semana passada, o prefeito de Blumenau, Egídio Ferrari (PL), também endossou as críticas ao ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL). Em uma obra paralisada pelas investigações, em um bairro do município, Egídio afirmou: “Tudo isso aconteceu porque quem passou antes de mim meteu a mão nos cofres públicos da Prefeitura de Blumenau” e “estou aqui numa obra paralisada por causa da corrupção”.

Manifestação

Hildebrandt enviou nota para a coluna em resposta as críticas – Imagem: Divulgação

Procurado, o ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt (PL), informou, por meio de nota, que segue sua agenda como pré-candidato a deputado estadual, cumprindo normalmente seus roteiros. “Reitera que, como já afirmado pelo próprio Ministério Público, não é citado em nenhuma investigação e não foi notificado sobre nenhum pedido de expulsão partidária. Com mais de 20 anos de trabalho na vida pública e muitas realizações por Blumenau e por todo o Estado, Hildebrandt tem muitas entregas a mostrar e não investirá tempo nem energia em quem tenta manchar sua história e seu legado de trabalho”, diz a nota.