“Boa tarde. Ontem fui ao laboratório para fazer meus exames. A moça me disse que os exames requisitados que têm uma estrelinha não foram liberados. Hoje fui à Secretaria de Saúde, e a atendente informou que esses exames não são liberados e que eu teria de pagar. Cada vez aumenta mais o número de exames que a gente precisa pagar. Comecei pagando um; agora já estou pagando quatro.”
Paciente SUS

Segundo informações repassadas à coluna, exames como colesterol, T4 livre, vitamina B12 e vitamina D não estariam sendo autorizados pelos laboratórios credenciados para atendimento da rede pública municipal.
Um profissional da saúde do Município relatou à coluna que a restrição na autorização desses exames teria começado poucos meses após o início do mandato da prefeita Carmen Zanotto e se intensificado ao longo deste ano. Segundo ele, a redução da cobertura vem sendo percebida por profissionais da rede e por pacientes que passaram a arcar com despesas referentes a exames anteriormente realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Há relatos de pacientes que precisaram desembolsar cerca de R$ 200 para realizar exames que, até poucos meses atrás, eram oferecidos gratuitamente pela rede pública.
Em março de 2025, a prefeita Carmen Zanotto sancionou a Lei Municipal nº 4.791, que dispõe sobre o direito de acesso, na rede pública municipal de saúde, a exames e medicamentos prescritos por médicos da rede particular, com o objetivo de ampliar o acesso da população aos serviços do SUS,
Em tese, se havia previsão orçamentária para ampliar o acesso a exames cobertos pela Tabela SUS, assegurando um direito estendido de gratuidade por iniciativa da própria administração municipal, e, ao mesmo tempo, verifica-se uma redução na oferta desses serviços, surge um aparente contraste entre a política anunciada e a realidade relatada por pacientes e profissionais da saúde.
A situação narrada merece apuração. Caso exames previstos na Tabela SUS estejam deixando de ser ofertados sem justificativa técnica ou administrativa compatível com as diretrizes do Sistema Único de Saúde, poderá haver comprometimento do acesso à assistência garantida pela legislação.
Caberá à Secretaria Municipal de Saúde esclarecer quais exames deixaram de ser autorizados, os motivos da eventual restrição e se houve alteração nos protocolos adotados pelo Município.

