Sem dinheiro para investimentos, Prefeitura de Lages pode superar R$ 600 milhões com folha salarial


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Jean Carlo Lima

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Em 2024, último ano antes da gestão de Carmen Zanotto, o Município de Lages gastou cerca de R$ 470 milhões com pessoal. No primeiro ano de sua administração, o gasto ficou em aproximadamente R$ 565 milhões. Agora, diante do aumento das funções gratificadas e do elevado número de servidores contratados, a previsão é de que a despesa com a folha ultrapasse os R$ 600 milhões.

Uma das razões para esse aumento expressivo da despesa, que, ao que tudo indica, poderá manter o orçamento da Prefeitura de Lages estagnado até o fim do mandato de Carmen Zanotto, está relacionada à necessidade de acomodação de compromissos políticos e administrativos assumidos ao longo da campanha.

No início da atual gestão, a estrutura organizacional do Município passou por mudanças que resultaram na criação e ocupação de cargos destinados a acomodar integrantes de partidos que participaram da campanha, além de pessoas ligadas aos grupos políticos dos deputados Marcius Machado e Lucas Neves. Mais recentemente, a Prefeitura também criou uma secretaria que passou a ser alvo de questionamentos políticos envolvendo a ACIL e o partido NOVO.

Na prática, uma despesa com pessoal próxima de R$ 600 milhões representaria em torno de 50% do orçamento municipal. Ao mesmo tempo, o Município precisa cumprir as vinculações constitucionais mínimas de 25% para a educação e 15% para a saúde, além de custear toda a estrutura administrativa e os demais serviços públicos.

Para se ter uma ideia, em um cenário de menor comprometimento da folha com funções e cargos, uma redução de 10% sobre uma despesa projetada em R$ 600 milhões representaria uma economia de aproximadamente R$ 60 milhões aos cofres municipais.

Ao invés disso, Carmen preferiu pagar acordos a investir e, como resultado, fica à mercê de emendas de dois deputados, que não poderiam, isoladamente, ser tratadas como solução para uma Prefeitura que arrecada cerca de R$ 1,3 bilhão.

É preciso considerar, ainda, que os recursos utilizados para o asfaltamento de avenidas e algumas ruas são, em grande parte, provenientes de verbas federais e estaduais, decorrentes de emendas impositivas e do Novo PAC. Algumas obras contam com contrapartida municipal, como ocorreu no caso dos R$ 10 milhões destinados ao Estrada Boa Rural, que exigiam contrapartida de igual valor por parte da Prefeitura.

Na ocasião, o Município precisou recorrer à Câmara de Vereadores para solicitar autorização para realizar um empréstimo, pois não dispunha de recursos suficientes para fazer frente à contrapartida.

Contudo, diante do cenário orçamentário posto, estamos caminhando para o final do ano. Muito antes disso, a própria prefeita já havia admitido a possibilidade de uma crise fiscal. Até lá, saberemos qual será o tamanho do impacto e do buraco provocado pelas escolhas feitas ao longo dessa gestão.