
Ao conversar com as pessoas nas ruas, percebi que a campanha ao Governo do Estado parece estar longe da maioria do eleitorado que está fora da chamada bolha política. O que chama a atenção é que, em relação à eleição nacional, há engajamento, ou seja, as pessoas estão atentas à disputa Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL), e esse se tornou um debate dominante para a maioria.
Será um grande desafio para as campanhas aqui no estado chamarem a atenção para os seus candidatos. É claro que, em algum momento, boa parte do eleitorado passará a olhar para a disputa estadual. A questão é saber quando e em que nível esse engajamento acontecerá.
A explicação para esse comportamento do eleitor pode estar, justamente, na ausência de um fato novo capaz de mexer com o cenário, algo que nenhuma das candidaturas conseguiu apresentar até o momento. Nesse ambiente de inércia, o maior favorecido é quem está no poder. Afinal, se o eleitor se mostra pouco interessado, não vai pensar em ouvir outras propostas. E isso pode definir o voto pela continuidade.
Nesse ambiente, o governador Jorginho Mello (PL) segue liderando as pesquisas e, pelos levantamentos divulgados até aqui, aparece em posição confortável, com possibilidade de vitória no primeiro turno. Ou seja, quando provocado a se manifestar nas pesquisas, o eleitor, em sua maioria, tem optado pela reeleição.
Enquanto isso, os dois principais adversários do líder dos liberais, o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD) e o ex-deputado Gelson Merisio (PSB), travam uma disputa para ver quem crescerá o suficiente para levar a eleição para um eventual segundo turno. Embora adversários, um torce pelo bom desempenho do outro como forma de evitar a vitória de Jorginho no primeiro turno.
Para Rodrigues, o cenário se mostra mais desafiador. Mesmo tendo a potência que é o MDB ao seu lado, além da federação, descontando os dissidentes, o pessedista terá que encontrar a resposta para um questionamento inevitável que paira na cabeça do eleitor de direita: se já tem um nome da direita como governador, por que mudar? Qual é o fato novo? Qual é a proposta ou o projeto de Rodrigues capaz de fazer esse eleitor trocar uma liderança de direita por outra?
Na outra pista tem Merisio. Olhado no início com desconfiança pelo eleitor mais ideológico de esquerda, ele construiu todo um processo de conquista, começando pelas grandes lideranças do campo progressista no estado, até chegar ao eleitor. Hoje, o candidato pessebista conta com mais da metade do capital eleitoral da centro-esquerda. E essa adesão inevitavelmente aumentará a partir do momento em que o presidente Lula vier ao estado e pedir voto para Merisio.
Veremos quem apresentará um fato determinante, a ponto de mexer com o cenário da majoritária catarinense. Por enquanto, Jorginho administra a vantagem, enquanto João Rodrigues e Gelson Merisio precisam encontrar caminhos para movimentar uma eleição que ainda parece distante das ruas.
De olho

Embora seja um candidato que tem poucas chances de chegar ao segundo turno, Marcelo Brigadeiro (Missão) é observado com atenção pelas demais campanhas. Isso porque o desempenho dele poderá influenciar na distribuição dos votos e, consequentemente, na configuração da disputa. Um dado interessante: na pesquisa Quaest feita no início do mês, o candidato a presidente da República Renan Santos (Missão), correligionário de Brigadeiro, alcançou 10% do eleitor jovem, entre 16 e 32 anos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) perdeu 7%. Santos está em terceiro nas pesquisas, o que pode influenciar o desempenho de seu candidato ao Governo do Estado.
Lançamento

O PSD lança hoje, oficialmente, as candidaturas do presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, a deputado federal, e do ex-prefeito Clésio Salvaro, a deputado estadual. O evento terá início às 19h, no Centro de Eventos Germano Rigo, em Criciúma. O candidato a governador João Rodrigues (PSD), o candidato a vice-governador Carlos Chiodini (MDB) e os candidatos ao Senado Antídio Lunelli (MDB) e Esperidião Amin (Progressistas) confirmaram participação.
Misturando o sangue

Em Balneário Camboriú, chama a atenção o cruzamento de sangue entre o PSD e o PL. Motivados pela relação entre a prefeita Juliana Pavan e o deputado estadual Carlos Humberto Silva, os liberais passaram a fazer parte da base da pessedista, que, por sua vez, apoia a reeleição de Silva, que se tornou o seu padrinho político. Nesta semana, um evento de apoio a Carlos Humberto chamou a atenção pela composição da mesa: Juliana, o seu pai, Leonel Pavan, prefeito de Camboriú, e o vice-prefeito de BC, Nilson Probst (MDB). Todos de partidos ligados ao candidato a governador João Rodrigues (PSD), mas que trabalham pela reeleição de um liberal para a Alesc. A federal, o apoio é para o deputado Júlio Garcia (PSD).
Relação próxima
O deputado estadual Carlos Humberto Silva (PL) já deu a entender que apoiará o projeto de reeleição da prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan (PSD), em 2028. O que se diz nos bastidores da Dubai brasileira é que Silva poderá tentar levá-la para o seu partido. O fato é que o passe de Juliana estará mais valorizado a partir do próximo ano.
Provocação

No “2 Minutos de Conversa”, no Instagram do Santa Catarina em Pauta, o vereador de Florianópolis Afrânio Boppré (PSOL), candidato ao Senado, fez uma clara provocação a um de seus adversários na disputa. Boppré nem precisou falar o nome para deixar claro sobre quem estava falando. “O crime organizado está buscando, de uma maneira silenciosa, penetrar nas estruturas de poder. E, nessa eleição, estamos vivendo uma grande ameaça. Inclusive aqui em Santa Catarina. Estão tentando importar do Rio de Janeiro aquilo que o Rio de Janeiro tem de pior. Que são políticos com amizades com milicianos, com matadores profissionais, com o crime organizado, que nutrem relações íntimas de homenagens, de empregos em gabinetes, e aqui em Santa Catarina nós não podemos aceitar”, afirmou.
Pautando SC

Amanhã, o entrevistado do Pautando SC será o deputado estadual Antídio Lunelli (MDB), candidato ao Senado. Você poderá assistir ao programa a partir das 12h, aqui no site e em nosso perfil no YouTube. Lembrando que um trecho estará no “2 Minutos de Conversa”, em nosso perfil no Instagram.
Cartório

A 7ª Promotoria de Justiça da capital converteu uma notícia de fato aberta em março deste ano em um inquérito civil público para investigar irregularidades na Escrivania de Paz da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. O cartório está sob intervenção do Tribunal de Justiça desde 28 de agosto de 2025. A Corregedoria-Geral do Foro Extrajudicial determinou o afastamento cautelar do titular Marcelo Sebastião Gern Tôrres e do escrevente substituto Robson de Jesus Hugen. O órgão nomeou Rodrigo Gomes dos Santos para atuar como interventor da unidade. As investigações detalham supostas irregularidades nessa serventia extrajudicial da capital a partir de uma representação formal apresentada pelo Colégio Notarial do Brasil – Seção Santa Catarina (CNB/SC).
Teor da denúncia
Segundo as denúncias que foram apuradas pelo corregedor-geral do Foro Extrajudicial do TJSC, o titular Marcelo Sebastião Gern Tôrres e o escrevente substituto Robson de Jesus Hugen praticavam atos notariais fora dos limites de sua circunscrição, o que viola o princípio da territorialidade. O cartório também realizava a captação ilegal de clientes por meio de comissões pagas a corretores e imobiliárias. Além disso, a fiscalização identificou a cobrança excessiva de taxas (emolumentos) e a emissão de certificados digitais com declarações falsas, sem a presença física dos usuários. O relatório aponta ainda o lançamento de despesas pessoais no livro diário da serventia e o uso de empresas de familiares para a movimentação de recursos. O caso está sendo conduzido em sigilo pelo MP. Outros cartórios também estão na mira, especialmente em Mafra e Campos Novos.
Precisa apurar
A questão dos cartórios no estado precisa ser discutida de fato. Conforme divulguei nesta semana, entidades do setor imobiliário de Santa Catarina, como o Conselho Regional de Corretores de Imóveis, o CRECI-SC, o Sindicato dos Corretores de Imóveis – Sindimóveis-SC e os sindicatos habitacionais patronais – Secovis, vêm divulgando publicamente nota técnica conjunta em que exigem que a base de cálculo de impostos, taxas e emolumentos cartoriais seja o valor declarado em contrato pelas partes, pleiteando o fim das avaliações mercadológicas, consideradas “arbitrárias”, feitas pelos próprios cartórios, também conhecidos como serventias extrajudiciais. O deputado estadual Ivan Naatz (PL) promete novamente levantar o assunto na Alesc. A coluna acompanhará essa discussão.









