
Para quem já foi uma autoridade na saúde de Santa Catarina, não haveria problema algum em assumir o desafio de se tornar também uma referência na educação. O que jamais se poderia imaginar é que essa nova missão significaria virar as costas para a bandeira que projetou seu nome em todo o estado.
Carmen Zanotto entra, assim, em um processo de “desestadualização” de sua imagem. Visivelmente, por falta de uma assessoria minimamente pensante, a prefeita de Lages vê escapar a oportunidade de fazer história na área em que construiu sua trajetória. Era preciso ter combinado com o eleitor essa mudança de rota.
Na iminência de completar metade do mandato, Carmen vê os problemas na saúde se multiplicarem sem conseguir apresentar um avanço realmente expressivo. Talvez a maior contradição seja ter encampado, durante décadas, a luta pelo piso da enfermagem para, agora, na condição de prefeita, não garantir seu pagamento integral. Conforme os valores atualmente praticados pelo Município, a defasagem chega a quase 30%.
O programa de entrega de medicamentos em domicílio, prometido como se fosse um delivery de pizza, acabou reduzido à abertura de duas ou três salas de distribuição, em meio a relatos recorrentes de falta de remédios. Além disso, pacientes afirmam que a Prefeitura deixou de oferecer alguns exames de rotina, como os de vitamina B12, vitamina D e colesterol.
Agendar uma consulta, nesta gestão, tornou-se uma verdadeira prova de resistência. Até mesmo a renovação de receitas de medicamentos controlados, antes realizada de maneira quase automática, passou a exigir uma nova consulta médica, ampliando a burocracia e dificultando ainda mais o acesso dos pacientes ao tratamento.
E jamais poderemos esquecer os tais R$ 20 milhões realocados da saúde para o pagamento de encargos de pessoal na educação. A medida pode até encontrar justificativas administrativas e contábeis, mas não deixa de carregar um enorme peso político para uma prefeita que sempre teve na saúde sua principal bandeira.
E, para não dizer que não falei das flores, informações vindas de dentro da própria Secretaria da Saúde indicam que a sala de vacinação do programa Cresça Melhor, que atende, em média, mil crianças por mês, deverá ser reativada. A notícia surgiu depois da cobrança que fiz em minha coluna.
A Prefeitura de Lages foi procurada para se manifestar sobre os pontos apresentados nesta coluna. O espaço permanece aberto, e eventual resposta será acrescentada ao texto.

