Carlos Bolsonaro desperta o sentimento catarinense; Jorginho se licenciará; a importância de SC para o Missão – E outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

Candidatura do ex-vereador do Rio de Janeiro provocou reação da população catarinense – Imagem: Divulgação

A candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado produziu um efeito que talvez nem estivesse nos cálculos do próprio ex-vereador do Rio de Janeiro: colocou a defesa de Santa Catarina no centro da eleição. Mais do que uma discussão entre direita e esquerda, ganhou força o debate sobre quem efetivamente conhece o estado, tem história construída aqui e está disposto a defender os interesses dos catarinenses em Brasília.

Carlos chegou à disputa sustentado principalmente pelo sobrenome e pela identificação ideológica de uma parcela do eleitorado com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Vereador no Rio de Janeiro desde os 17 anos, após ser emancipado, não deixou como marca uma grande pauta legislativa. Entre suas iniciativas, aparecem propostas como a proibição de alimentos contendo insetos nas creches, o fim do cardápio vegetariano e medidas relacionadas ao chamado “kit gay”. Ex-colegas também o apontam como alguém que demonstrava pouco interesse em discussões importantes para o município carioca.

Quando decidiu disputar o Senado por Santa Catarina, Carlos apresentou como justificativas o fato de gostar do estado e a ligação criada por cursos de tiro que realizou por aqui. Até agora, porém, não conseguiu apresentar uma agenda consistente sobre infraestrutura, portos, rodovias, agronegócio, indústria, segurança, saúde ou qualquer outra das grandes pautas catarinenses.

Até sua declaração patrimonial ajuda a alimentar o questionamento sobre a ligação efetiva com Santa Catarina. Não há imóvel ou empreendimento declarado no estado. A WF Advisory Ltda. – ME, agência de publicidade com capital de R$ 120 mil, tem como endereço uma das casas do ex-presidente, no condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro. A relação apresentada por Carlos com Santa Catarina, portanto, é essencialmente ideológica.

E foi justamente a imposição de sua candidatura que despertou uma reação que passou a influenciar toda a campanha. A deputada federal Caroline de Toni (PL) chegou a ficar ameaçada de não disputar o Senado. A partir daí, até eleitores e lideranças identificados com a direita passaram a questionar por que Santa Catarina deveria abrir mão de uma candidatura construída no estado para acomodar um político vindo do Rio de Janeiro.

O movimento ganhou força e símbolos. A bandeira tricolor catarinense voltou a aparecer com destaque, inclusive com o vermelho que bolsonaristas chegaram a evitar em campanhas anteriores. Expressões como “Santa Catarina em 1º Lugar” e “Não mexa com SC” passaram a ocupar discursos e materiais eleitorais. Candidatos começaram a ressaltar que conhecem os municípios, que nasceram aqui ou que, mesmo vindos de fora, construíram uma trajetória de serviços prestados ao estado.

Frases como “conheço Santa Catarina sem precisar de GPS”, “sou catarinense” e “não nasci aqui, mas tenho serviço prestado” entraram definitivamente no vocabulário eleitoral. O resultado é curioso: a disputa pelo Senado ganhou um protagonismo que, em determinados momentos, chega a superar o próprio debate sobre o Governo do Estado.

Há uma razão. Parte do eleitorado passou a enxergar a candidatura de Carlos como uma tentativa de transformar Santa Catarina em um “curral” eleitoral para um nome que não construiu sua vida política no estado. Essa percepção ganha ainda mais força diante da postura adotada pelo candidato, que evita debates e entrevistas mais aprofundadas, nas quais poderia ser confrontado sobre seu conhecimento das demandas catarinenses e sobre aquilo que pretende entregar ao estado caso seja eleito.

Explicações

Também existem questões que Carlos Bolsonaro (PL) precisa explicar. Conforme revelei há algumas semanas, ele voltou a ser investigado em um caso envolvendo suspeita de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Outro ponto está em relatório da Polícia Federal que aponta movimentação de R$ 4,8 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024. No mesmo período, o empresário Mário Pimenta de Oliveira Filho teria transferido R$ 700 mil para Carlos. Chama a atenção o fato de o empresário do setor automotivo ter sido alvo de processos trabalhistas e, em um deles, referente a uma causa de R$ 22,6 mil, ter firmado acordo alegando poder pagar apenas R$ 10 mil, divididos em cinco parcelas.

Depois de renunciar ao mandato de vereador para mudar para Santa Catarina, Carlos também passou a receber salário do PL Nacional, no valor de R$ 27 mil. Os pagamentos somaram cerca de R$ 150 mil.

Até o material de campanha reforça o contraste que seus adversários deverão explorar. A produção para a disputa ao Senado por Santa Catarina foi contratada no Rio de Janeiro. A empresa Exact Embalagens e Rótulos, localizada em Saquarema, pertence a Paulo Figueiredo Júnior — que, apesar do nome, não é o influenciador Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Baptista Figueiredo, e amigo da família Bolsonaro. Trata-se da mesma empresa contratada por Carlos em sua campanha à Câmara do Rio, em 2024, quando foram gastos R$ 221 mil. Um detalhe: Saquarema é a cidade natal de Fabrício Queiroz.

A passagem por Chapecó, nesta semana, acrescentou outro ingrediente. Carlos utilizou o autódromo para gravações de campanha e encontrou o empresário Leandro Sorgatto (PL), candidato a deputado estadual. O apoio de Sorgatto ao ex-vereador provocou críticas entre lideranças do Oeste, que entenderam a atitude como uma contradição com a campanha “No voto, Valorize o Oeste”. Para esse grupo, se a proposta é valorizar a representação regional, o apoio deveria ser destinado a Caroline de Toni.

No final, Carlos Bolsonaro conseguiu algo que nenhum marqueteiro talvez tivesse planejado: deu uma bandeira à eleição. Fez com que candidatos precisassem provar sua relação com Santa Catarina e colocou no eleitor uma pergunta que tende a acompanhá-lo até a urna: o Senado deve servir para premiar um sobrenome ou para representar os interesses do estado?

Licença

Governador se licenciará durante a campanha eleitoral – Imagem: Secom

Ontem, a Assembleia Legislativa aprovou a licença do governador Jorginho Mello (PL), sem ônus ao Estado, ou seja, sem o recebimento de salário. O líder dos liberais ficará afastado do cargo a partir de sábado (29) até 5 de outubro. Uma fonte ligada à campanha me disse que a decisão do governador de se afastar é para se dedicar à campanha sem os riscos das limitações impostas pela lei eleitoral. A mesma fonte informou que Jorginho passou o dia despachando na Casa d’Agronômica, onde recebeu o secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, o secretário de Estado da Administração, Vânio Boing, e também a vice-governadora Marilisa Boehm (PL), com quem acertou os detalhes da transmissão de cargo.

Hospitais

Rodrigues promete a abertura de hospitais – Imagem: Divulgação

O candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD), afirmou, ontem, que vai criar hospitais de baixa e média complexidade caso seja eleito em 4 de outubro. “A ideia é fazer novas unidades de baixa e média complexidade e acabar com a desumana ambulância terapia”, afirmou. Além da criação de seis novas unidades já no primeiro mandato, Rodrigues também pretende fortalecer os hospitais filantrópicos. Na área social e econômica, o plano de governo de Rodrigues prevê a construção de 60 mil moradias populares, com subsídio estadual de R$ 40 mil na entrada para trabalhadores, além de uma linha de crédito com juros pagos pelo Estado para a renovação da frota de taxistas, motoristas de aplicativo e motofretistas.

Missão em SC

Brigadeiro pode ser beneficiado pelo desempenho de Renan – Imagem: Divulgação

Santa Catarina ocupa uma posição de destaque na estreia eleitoral do Missão. O estado reúne 7% dos 540 nomes lançados pela sigla no país, ficando entre as principais bases da legenda e ganhando ainda mais importância dentro do projeto nacional liderado por Renan Santos. A avaliação interna é de que o crescimento da candidatura presidencial pode se refletir diretamente nas disputas proporcionais, fortalecendo as chapas para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa. O Missão aposta justamente nessa conexão entre a candidatura ao Planalto e seus palanques estaduais para ampliar sua representação. Aqui no estado, o percentual de 7% coloca Santa Catarina atrás somente de São Paulo, com 21%, e do Paraná, com 12%, e no mesmo patamar de Pernambuco. Também há uma aposta no fortalecimento da candidatura de Marcelo Brigadeiro a governador.