
A CDL de Lages justificou a viagem de dirigentes e associados a Florianópolis, de onde embarcaram em um voo da GOL com destino à Paraíba, mesmo com a entidade participando de campanhas pela manutenção dos voos no Aeroporto Regional da Serra Catarinense.
Segundo a manifestação, os horários disponíveis a partir de Correia Pinto não permitiam conexões adequadas à programação da viagem, tanto na ida quanto no retorno. Também havia uma “diferença significativa” no valor das passagens, especialmente por se tratar de um grupo.
Os argumentos ajudam a explicar a decisão. Ao mesmo tempo, porém, expõem uma das fragilidades que já existia na operação da AZUL, e que segundo o governador, exigiria um esforço coletivo afim de superar essa fase.
Para aquela necessidade concreta, o voo regional não se mostrou competitivo em aspectos fundamentais para qualquer passageiro. A própria CDL reconhece, em sua manifestação, que o fortalecimento do aeroporto depende de uma operação “cada vez mais competitiva” e adequada às necessidades da região.
Evidentemente, dirigentes e associados não têm obrigação de utilizar Correia Pinto em todas as viagens. Cada passageiro pode escolher a alternativa mais conveniente. Mas esse mesmo raciocínio vale para qualquer morador da Serra Catarinense.
Se as condições oferecidas justificaram que um grupo ligado a uma das entidades defensoras da rota viajasse cerca de 220 quilômetros por rodovia até Florianópolis para embarcar, é razoável considerar que os mesmos fatores também influenciem outros passageiros.
O alerta já havia sido feito pelo governador Jorginho Mello no voo inaugural, em novembro do ano passado. Na ocasião, afirmou que o Estado subsidiaria a operação até o final de 2026, mas cobrou esforço da região para garantir sua sustentabilidade.
A CDL apresentou razões plausíveis para escolher Florianópolis. E justamente por serem plausíveis, elas expõem o tamanho do desafio.
Se até quem trabalha institucionalmente pela manutenção do voo encontra condições que tornam mais conveniente utilizar outro aeroporto, o problema não está apenas em convencer a Serra de que precisa do voo. Está em tornar o voo competitivo o suficiente para que a própria Serra queira utilizá-lo.


