
A coligação Coragem para Mudar, do candidato Gelson Merisio (PSB), apresentou nesta sexta-feira (4) um programa eleitoral dedicado à discussão sobre racismo e segurança pública em Santa Catarina. A campanha cita dados segundo os quais o estado registrou a maior taxa de ocorrências de racismo do país, com 32,8 registros por 100 mil habitantes. Em relação aos casos de injúria racial, Santa Catarina aparece na segunda posição nacional, com 27,1 ocorrências por 100 mil habitantes, atrás do Distrito Federal, que registrou 28,9.
O programa também faz críticas a medidas adotadas pelo governo do governador Jorginho Mello (PL), especialmente em relação às políticas de cotas para acesso de pessoas negras e pardas ao ensino superior. A campanha menciona ainda um levantamento de 2022 que identificou 320 células nazistas em Santa Catarina, número que colocou o estado na liderança nacional naquele levantamento. Na área da segurança pública, o programa eleitoral destaca que pessoas negras representaram 40% das vítimas de ações letais das polícias em Santa Catarina em 2025, conforme levantamento do Desterro – Observatório da Violência em Florianópolis.
Os dados apresentados também apontam que a participação de pessoas negras entre as vítimas de ações policiais aumentou em relação a levantamentos anteriores. Segundo relatório do Núcleo de Enfrentamento aos Crimes de Racismo e de Intolerância do Ministério Público de Santa Catarina, o percentual era de 24,44% em 2022. Em Florianópolis, onde 22,96% da população é negra, 46% das vítimas de ações policiais em 2025 eram pretas ou pardas, de acordo com o Desterro. O programa relaciona ainda o cenário ao encerramento, em setembro de 2024, do programa de câmeras corporais da Polícia Militar. Em maio deste ano, a Justiça determinou a retomada dos equipamentos, após ação civil pública da Defensoria Pública.
A decisão judicial considerou que a interrupção do programa, sem substituição equivalente, poderia comprometer aspectos como transparência e produção de provas. Para Leonardo Silva, coordenador de Estado e Crime Organizado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as câmeras podem contribuir para o acompanhamento da atuação policial. “As câmeras corporais são importantes ferramentas tecnológicas para termos mais transparência nas ações policiais”, afirmou. O especialista ressalta, porém, que os equipamentos precisam integrar uma política mais ampla, com protocolos, análise das imagens e definição de responsabilidades. Os dados e avaliações apresentados no programa integram a estratégia eleitoral da coligação e são utilizados pela campanha para sustentar sua abordagem sobre racismo e segurança pública no estado.
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