O cenário ao Governo e ao Senado segundo a AtlasIntel; preocupação na PF; Lima critica moção da Câmara de Joinville — e outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

A pesquisa AtlasIntel, contratada pelo Grupo ND, reforça um cenário favorável ao governador licenciado Jorginho Mello (PL) na disputa pelo Governo do Estado. Com 51,6% das intenções de voto e 55,5% dos votos válidos, o líder dos liberais mantém, neste momento, um cenário de reeleição no primeiro turno.

Jorginho também encontra sustentação nos indicadores de seu governo. A administração é aprovada por 60%, enquanto 55,5% defendem sua continuidade por mais um mandato. Além disso, a campanha desperta pouco interesse do eleitor, situação que tende a favorecer quem está no cargo e conta com maior exposição para apresentar obras, investimentos e ações de governo.

Enquanto o líder dos liberais administra a vantagem, a principal movimentação acontece na disputa pelo segundo lugar. João Rodrigues (PSD) tem 18,5%, e Gelson Merisio (PSB), 17,6%. A distância entre os dois praticamente desapareceu. O avanço de Merisio reforça um movimento que eu já havia apontado como possível.

Vale lembrar que a Quaest mostrou anteriormente que parte do eleitor lulista estava com o pessedista. Era um apoio que poderia mudar a partir do momento em que esse eleitor identificasse uma candidatura mais próxima de seu campo político. Merisio começa a ocupar esse espaço. Ao assumir pautas identificadas com a esquerda e se apresentar como uma alternativa competitiva nesse campo, passa a oferecer ao eleitor lulista uma candidatura mais alinhada às suas posições. Outro ponto chama a atenção. Merisio já alcança o percentual obtido por Décio Lima (PT) no primeiro turno da eleição de 2022.

Esse cenário pode ampliar o teto eleitoral do candidato apoiado pelo presidente Lula (PT) e tende a ganhar força com a vinda do líder petista ao Estado, prevista para o próximo dia 19. Se conseguir consolidar o eleitor de esquerda e lulista, Merisio poderá posteriormente buscar setores de centro com os quais, tem maior possibilidade de diálogo. É justamente essa característica que poderá levá-lo além do percentual alcançado por Décio.

Para João Rodrigues, a pesquisa liga um sinal de alerta. Sua rejeição de 15,2% mostra que existe espaço para crescer, mas a candidatura ainda não apresentou um fato novo capaz de alterar a configuração da eleição. Agora, além de tentar alcançar Jorginho, João precisa evitar perder terreno para Merisio.

Bloco de baixo

No bloco inferior, Marcelo Brigadeiro (Missão) aparece com 2,9%, percentual que pode estar sendo impulsionado pela exposição de Renan Santos (Missão). Também merece registro o 1,1% de Marcos Sodré, do PSTU, considerando o tamanho e a estrutura da legenda.

Senado

O cenário da disputa ao Senado começa a desenhar a reta final da eleição. No resultado que reúne as duas escolhas do eleitor, a AtlasIntel, contratada pela ND, coloca Carol De Toni (PL) na liderança, com 28,4%, seguida por Esperidião Amin (Progressistas), com 20,2%. Carlos Bolsonaro (PL) tem 14,9%, Décio Lima (PT), 11,9%, e Afrânio Boppré (PSOL), 9,3%.

No primeiro voto, Carol chega a 34,3%, percentual que pode ser entendido como o voto de convicção. Amin apresenta um comportamento diferente: registra 16% na primeira escolha, mas alcança 24,5% na segunda.

Os números mostram que a resistência à candidatura do ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, pode ter se ampliado além do que se previa. Esse sentimento já era percebido no início da disputa, mas agora aparece de forma mais clara na pesquisa. Mesmo concorrendo pelo PL em um Estado onde o bolsonarismo tem grande força eleitoral, Carlos registra 13,4% no primeiro voto, distante dos 34,3% de Carol. Sua rejeição também é elevada: 45,1%, contra 24,6% da deputada catarinense.

O eleitor pode estar sinalizando que o sobrenome, por si só, não basta. Carol e Amin são catarinenses e construíram suas trajetórias políticas no Estado. Carlos, por outro lado, ainda precisa construir essa identificação com o eleitor catarinense. A ausência em entrevistas e debates, somada a agendas políticas em outros estados, também pode estar pesando. O eleitor pode começar a cobrar maior conhecimento dos problemas locais e uma demonstração efetiva de preparo para representar Santa Catarina no Senado.

Nesse ambiente, Carol aparece como a principal beneficiada entre os eleitores bolsonaristas, enquanto Amin também tem conquistado uma parcela desse eleitorado.

Amin e o voto estratégico

Um dos dados mais interessantes está no desempenho de Esperidião Amin. O senador passa de 16% no primeiro voto para 24,5% no segundo. Parte desse apoio pode vir da direita, de eleitores que priorizam Carol de Toni ou Carlos Bolsonaro e encontram em Amin o nome para completar a escolha. Mas também existe a possibilidade de uma parcela da esquerda estar utilizando o segundo voto de maneira estratégica.

Décio Lima chega a 19,6% no primeiro voto e tem apenas 4,1% no segundo, mostrando força no voto de convicção, mas pouca capacidade de atrair a segunda escolha. Esse eleitor, mesmo discordando de Amin em diversas pautas, inclusive em posições semelhantes às defendidas pelo PL, considera o senador uma alternativa para evitar que as duas cadeiras catarinenses fiquem com o partido de Bolsonaro. Nesse cálculo, pesam a trajetória de Amin e o fato de não representar uma segunda candidatura do 22.

Afrânio Boppré apresenta outro movimento interessante. Tem 3,1% no primeiro voto e chega a 15,5% no segundo, mostrando capacidade de conquistar espaço entre eleitores que priorizam outro candidato.

Lunelli entrou tarde

Antídio Lunelli (MDB) aparece com 4,8% e rejeição de 14%. A entrada tardia na disputa pode ter prejudicado a construção de sua candidatura. Também é preciso observar o comportamento do eleitor emedebista. Parte dessa base pode estar mais engajada em nomes identificados com a direita do que em uma escolha partidária, reduzindo o espaço de Lunelli. Seu desafio é transformar a baixa rejeição em voto.

Túlio surpreende

Túlio de Amorim Puetzneiter (Missão) chega a 2,4% e chama a atenção pelo menor grau de conhecimento de sua candidatura. O resultado pode indicar que começa a conquistar eleitores identificados com Renan Santos e com o projeto político do Missão.

Preocupação na PF

Fontes da Polícia Federal aqui no Estado se mostraram preocupadas com seus colegas de Brasília que trabalharam no relatório do Caso Master, que expôs a ligação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ouvi que os policiais que atuaram na elaboração do documento são altamente capacitados e estritamente técnicos. “Tudo que está ali, eles tiraram do celular do Vorcaro. Não tem uma linha fora do que está no aparelho”, explicou, completando ainda que o sistema utilizado pela PF para o espelhamento dos aparelhos de investigados garante que nenhuma informação possa ser acrescentada depois da apreensão. A preocupação, segundo as fontes, é com uma possível retaliação aos oito profissionais que atuam na investigação.

Agentes políticos

Os policiais federais disseram ainda que o argumento de que o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, atrapalharia outras investigações não se confirma. Embora não tenham opinado nem a favor nem contra o afastamento, agora revertido pelo ministro do STF Flávio Dino, a informação é de que a atribuição de Rodrigues e de Almada é mais política e administrativa e que o trabalho de investigação se restringe aos policiais envolvidos, não à chefia da Polícia Federal.

Encontro com os praças

Merisio ouviu as reivindicações apresentadas pelo presidente da Aprasc – Imagem: Divulgação

O candidato ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSB), esteve ontem com o presidente da Associação dos Praças de Santa Catarina (Aprasc), sargento Clailton de Oliveira. Ao candidato foram apresentadas as pautas dos policiais e bombeiros militares, entre as quais o plano de carreira, o equilíbrio remuneratório entre as diferentes graduações, a valorização salarial e a proteção dos pensionistas dos militares estaduais. Merisio também apresentou uma proposta para ampliar, de forma rápida, o efetivo disponível para o policiamento ostensivo. A ideia do candidato é criar um programa de reintegração de praças da reserva que tenham interesse em retornar à atividade, permitindo que profissionais já experientes voltem às ruas sem a necessidade de aguardar todo o tempo necessário para a formação de novos policiais.

Na estrada

João Rodrigues em campanha na Serra e no Meio-Oeste – Imagem: Divulgação

O candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD), seguirá até domingo com agendas na Serra e no Meio-Oeste. Segundo a comunicação da campanha, o pessedista tem compromissos em São Joaquim, Curitibanos, Caçador, Fraiburgo, Videira, Otacílio Costa, Iomerê e Lages. Estão previstas caminhadas com apoiadores, encontros com lideranças e entrevistas a veículos de imprensa. Participam dos compromissos o deputado federal Carlos Chiodini (MDB), candidato a vice-governador, além do deputado estadual Antídio Lunelli (MDB) e do senador Esperidião Amin (Progressistas), que concorrem ao Senado.

Oeste-Mar

Governador anunciou o projeto Oeste-Mar em Rio do Sul – Imagem: Divulgação

O governador licenciado Jorginho Mello (PL), em agenda de campanha, esteve em Rio do Sul, onde se reuniu com cerca de 15 prefeitos, além de vices, lideranças e candidatos. Durante o encontro, Jorginho fez um balanço de seu governo e de ações na região e apresentou o projeto Oeste-Mar, que prevê uma nova ligação logística entre o Oeste e o litoral. Depois, foi para o município de Agronômica, onde se reuniu com 21 prefeitos e sete vice-prefeitos. Cerca de 500 pessoas participaram da mobilização.

A crítica de Lima

Sargento Lima fez duras críticas ao vereador do Novo – Imagem: Alesc

O deputado estadual Sargento Lima (PL), candidato a deputado federal, se manifestou a respeito de uma nota da coluna de ontem, em que critico a moção aprovada pela Câmara de Vereadores de Joinville, pedindo ao Senado que paute o processo de impeachment de ministros do STF. “O Alison é do NOVO. Se existe uma preocupação real deste partido em, de alguma forma, provocar o Senado, poderiam, no mínimo, colocar o número de pelo menos um senador em seus materiais de campanha. O desequilíbrio entre os poderes é um problema que só se resolve elegendo senadores sensatos. Quem não tem número no material de campanha não tem direito a abordar o assunto”, escreveu Lima.

WhatsApp na eleição

Conhecido como JP do WhatsApp, o especialista em comunicação e mobilização política realizará, no próximo domingo (20), às 10h, um workshop online sobre estratégias para a reta final das eleições. Segundo ele, o encontro abordará técnicas para transformar apoiadores em multiplicadores, organizar os fluxos de comunicação, desenvolver ações de mobilização e proteger os números utilizados pelas campanhas no WhatsApp. As inscrições para o workshop “WhatsApp na Reta Final – O Guia Definitivo de Mobilização para os Últimos Dias” estão disponíveis pela plataforma Sympla.