Caso Fernanda merece análise fora do ringue eleitoral; pedágio mais caro; suspensão de PPP em Brusque – E outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

A grave situação que envolveu, em Jaraguá do Sul, dois policiais militares e a candidata a suplente ao Senado Fernanda Klitzke (PT) mais uma vez revela o momento preocupante pelo qual estamos passando. Há pessoas que não conseguem, por um minuto sequer, separar a disputa política dos demais assuntos. Tudo vira motivo para um verdadeiro ringue digital, onde a lacração e a defesa do próprio lado parecem ser mais importantes do que a vida.

O Brasil adoeceu nesse aspecto. Não podemos condenar uma violência quando ela atinge alguém com quem concordamos e relativizá-la quando a vítima pensa diferente. Quanto ao episódio de Jaraguá do Sul, é preciso separar os acontecimentos para uma leitura equilibrada, algo que ainda não vi.

Há imagens mostrando o homem envolvido na ocorrência indo atrás da moradora após a reclamação relacionada ao som do veículo. Isso é um fato e não pode ser ignorado. O contexto precisa ser esclarecido e, se houve ameaça ou crime, que o responsável responda por seus atos.

Também considero prematuro afirmar que os policiais chegaram ao local com raiva por se tratar de um evento envolvendo pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores. Uma acusação dessa gravidade precisa ser sustentada por fatos. Existem casos de excesso policial, assim como existem situações em que pessoas enfrentam, desacatam ou resistem à polícia. A autoridade precisa ser respeitada, mas o uso da força deve ser proporcional à situação.

Marcas no corpo de Fernanda causadas pela ação dos policiais

Agora, esqueça por um momento partido, eleição, esquerda ou direita. Vamos olhar para esse caso pelo que realmente importa: o ser humano. Fernanda Klitzke é uma mulher e uma advogada que foi até o local acompanhar uma ocorrência no exercício de sua profissão. Ela se apresentou como advogada e, pelas imagens, não aparece agredindo ou oferecendo risco aos policiais.

Assisti ao vídeo mais de uma vez e não consigo encontrar justificativa para tamanha violência. Quando um dos policiais, visivelmente exaltado, se aproxima, Fernanda chega a pedir “calma”. Não adiantou. Ela leva uma rasteira, cai no chão, recebe chutes e tiros de borracha. A cena chega a ser repugnante, tamanha a agressividade e a covardia com que tudo acontece.

Esqueça que Fernanda é do PT. Poderia ser do PL, do MDB ou de qualquer outro partido. A cena seria igualmente grave. Estamos falando de uma mulher caída no chão, que não é uma criminosa e que, naquele momento, não oferecia qualquer risco que justificasse aquele nível de força por parte de dois policiais armados.

E, para quem questiona o que Fernanda fazia no local, é preciso lembrar: ela é advogada. Foi acompanhar a ocorrência nessa condição e se apresentou como profissional. O Estatuto da Advocacia garante prerrogativas ao advogado no exercício da profissão, inclusive a comunicação com pessoas presas ou detidas, mesmo sem procuração.

Preservação da PM

É preciso dizer que apontar um excesso cometido por dois policiais não significa atacar a Polícia Militar. A corporação é formada por milhares de homens e mulheres que diariamente colocam a própria vida em risco para proteger a sociedade. Justamente por respeito a esses profissionais e à instituição, eventuais excessos precisam ser apurados com rigor. Vale lembrar que antes da candidata, existe uma mulher. Antes do partido, existe uma pessoa. E, naquele local, havia também uma advogada acompanhando uma ocorrência. Que a Justiça faça a sua parte, que o comando da Polícia Militar apure rigorosamente o que aconteceu e tome as providências necessárias. A régua precisa ser a mesma para todos. Porque, quando precisamos saber em quem uma pessoa vota para decidir se a violência praticada contra ela merece ou não a nossa indignação, alguma coisa está profundamente errada com a nossa sociedade.

Na Serra

João Rodrigues cumpriu agenda de campanha na Serra – Imagem: Divulgação

O candidato ao Governo do Estado João Rodrigues (PSD) discursou ontem para cerca de mil pessoas no Centroserra Convention Center, em Lages. A três semanas da eleição, o evento marcou uma série de compromissos no Meio-Oeste e na Serra Catarinense. O encontro da majoritária em Lages, que tem Rodrigues à frente, marcou a arrancada final da campanha a deputado federal do ex-governador Raimundo Colombo (PSD), que defendeu a representatividade por meio do voto. “O Rio de Janeiro pode ter várias virtudes, mas, com certeza, não tem senadores da qualidade do Amin [Esperidião] e do Lunelli [Antídio]. Não precisamos importar de lá mais um carioca”, defendeu Colombo.

Participação feminina

Evento com Jorginho reuniu cerca de 800 participantes – Imagem: Divulgação

O governador Jorginho Mello (PL) participou de um encontro voltado para mulheres em Florianópolis. Cerca de 800 pessoas participaram do evento, que contou com candidatas a deputada estadual e federal. Jorginho anunciou que quer ampliar a participação das mulheres no governo e nas decisões do Estado, com mais espaço para liderança e protagonismo feminino. “Eu tenho certeza de que as mulheres vão ocupar ainda mais espaço no nosso próximo governo. Quero cada vez mais mulheres participando das decisões, ajudando a governar e ocupando espaços de liderança. Vamos construir os próximos quatro anos com a força e a participação de vocês”, afirmou.

Pedágio mais caro

É um escárnio esse aumento no valor do pedágio nas BRs concessionadas. A Arteris Litoral Sul aumentará em R$ 0,20 o valor do pedágio a partir de hoje na BR-101 e no Contorno Viário de Florianópolis. Quem passar pela rodovia por Palhoça, Porto Belo, Garuva e Araquari pagará R$ 5,90. Enquanto isso, obras importantes para a rodovia ainda não foram realizadas.

Na Grande Florianópolis

O deputado estadual Lucas Neves (Republicanos) amplia as ações eleitorais na Grande Florianópolis. Após agendas em Santo Amaro da Imperatriz e Florianópolis, o candidato à reeleição reuniu dezenas de apoiadores em Biguaçu. O encontro foi articulado pelo vereador Vandy Antunes, que apoia Neves na região, fora de sua principal base eleitoral, a Serra Catarinense.

Na estrada

O candidato a deputado estadual, ex-prefeito de Biguaçu Salmir da Silva (Republicanos), esteve no Meio-Oeste. Ele passou por municípios como Caçador, Capinzal e Treze Tílias. Segundo a coordenação de sua campanha, agora, na reta final, o objetivo é intensificar o contato com as pessoas e fortalecer a mobilização em torno de sua candidatura.

Suspensa PPP em Brusque

O Tribunal de Contas determinou cautelarmente a suspensão da Concorrência Pública nº 015/2026, da Prefeitura de Brusque. O certame prevê uma Parceria Público-Privada de iluminação pública e inteligência urbana, estimada em R$ 356,57 milhões e com duração de 25 anos. A decisão do conselheiro José Nei Ascari atende a uma representação da empresa Negocial Assessoria e Consultoria Ltda., que apontou indícios de restrição à competitividade. O prefeito André Vechi (PL) e o secretário de Trânsito e Mobilidade, Thomas Jeferson Haag, foram notificados para comprovar a paralisação do certame e têm 30 dias para apresentar justificativas ou adotar medidas corretivas.

Prova de conceito

A suspensão da PPP de Brusque tem como ponto central uma Prova de Conceito. O vencedor teria apenas sete dias para se preparar para uma avaliação presencial de oito a dez horas, envolvendo 120 requisitos técnicos e exigência mínima de 90% de aproveitamento. O relator José Nei Alberton Ascari destacou que o problema não está na utilização da POC ou em seu caráter eliminatório, mas na falta de justificativa técnica para a proporcionalidade das exigências. Segundo o conselheiro, há fortes indícios de restrição à competitividade. A proximidade da abertura das propostas, prevista para 22 de setembro, também pesou na decisão de suspender preventivamente a licitação.