
Roraima poderia servir de exemplo para Santa Catarina na eleição ao Senado deste ano. Conhecido por ser o estado menos populoso do país, com cerca de 761 mil habitantes e localizado na fronteira brasileira com a Venezuela e a Guiana, tem mostrado uma forte resistência à candidatura importada do deputado federal Hélio Lopes, o Hélio Negão (PL).
Natural de Queimados, no Rio de Janeiro, Lopes está em seu segundo mandato de deputado federal pelo estado fluminense, mas decidiu, em março, transferir seu domicílio eleitoral para Boa Vista, onde alugou uma casa para viabilizar a candidatura ao Senado. Como justificativa, diz que a decisão ocorreu a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro e que morou na Região Norte na década de 1990. Naquela época, chegou a conhecer Roraima, mas nunca morou no estado. O parlamentar ainda tentou registrar a candidatura como Hélio Bolsonaro, mas teve o pedido indeferido pela Justiça Eleitoral.
Sem uma trajetória construída em Roraima, Hélio apostou na força do nome do ex-presidente para tentar se eleger, mesmo sem histórico de serviços prestados ou atuação política ligada às principais pautas do estado. A situação é muito semelhante à do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) aqui em Santa Catarina. Ele chegou ao estado no início do ano impondo ao Partido Liberal a sua candidatura ao Senado, movimento que quase deixou a deputada federal Carol de Toni (PL) fora da disputa.
Vale lembrar que Carlos construiu toda a sua carreira política no Rio de Janeiro. Para justificar sua ligação com Santa Catarina, chegou a citar cursos de tiro realizados em São José, onde alugou um apartamento e transferiu seu domicílio eleitoral. Agora candidato, Carlos tem evitado debates, sabatinas e entrevistas. As ausências evitam que seja confrontado diretamente sobre temas importantes para Santa Catarina e aumentam os questionamentos sobre o seu comprometimento.
Diferença
A diferença entre Hélio Lopes (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) está, até agora, na resposta dos eleitores. Enquanto o filho Zero Dois do ex-presidente aparece entre os principais nomes na disputa pelo Senado aqui em Santa Catarina, Lopes enfrenta uma forte resistência dos eleitores de Roraima, inclusive de parte do eleitorado bolsonarista.
Pesquisa Real Time Big Data divulgada recentemente colocou Hélio em quinto lugar, com apenas 9% das intenções de voto, distante dos candidatos que aparecem à sua frente. A Quaest também mostrou o deputado na quinta colocação, com 5%.
Durante a campanha, gafes também chamaram a atenção. Hélio chegou a errar a bandeira de Roraima, situação que lembra o vídeo em que Carlos Bolsonaro mencionou um bairro de Palhoça como se fosse um município.
O fato é que o eleitor de Roraima, pelo menos até agora, tem dado uma dura resposta a uma candidatura de alguém que chegou ao estado praticamente apenas para disputar a eleição. O baixo percentual de Hélio mostra que os roraimenses parecem mais preocupados com quem conhece os problemas locais e pode discutir as pautas que fazem diferença em suas vidas do que simplesmente apostar em um sobrenome.
De outros estados
Durante um evento de campanha em Blumenau nesta semana, Carlos Bolsonaro disse que, dos cerca de 600 candidatos que o PL tem em Santa Catarina, aproximadamente 200 são de outros estados. “Competência não tem CEP”, afirmou. O que o Zero Dois não explicou é que nascer em outro estado não é o problema. Os candidatos citados por ele moram há anos em Santa Catarina, onde trabalham, constituíram família, construíram suas histórias e conhecem a realidade catarinense.
Roraima é um bom exemplo. Assim como Hélio Lopes, os quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas para o Senado nasceram fora do estado. A diferença é que todos construíram, ao longo dos anos, uma relação sólida com a população local. Portanto, a discussão não é sobre onde o candidato nasceu. É sobre conhecer o estado, ter uma história construída nele e saber quais são as necessidades da população que pretende representar no Senado.
Os demais
Teresa Surita (MDB), que lidera as pesquisas, chegou a Roraima em 1987. Foi prefeita de Boa Vista mais de uma vez, coordenou a área social do estado e exerce mandato de deputada federal. Antônio Nicoletti (PL), que aparece em segundo, nasceu em Ijuí, no Rio Grande do Sul, mas foi ainda muito jovem para Roraima, onde se formou em Direito e construiu sua trajetória profissional. Foi policial rodoviário federal antes de ingressar na política e está em seu segundo mandato como deputado federal. Chico Rodrigues (PSB), que aparece em terceiro, nasceu no Recife, mas chegou, na década de 1970, ao então Território Federal de Roraima, que se tornou estado em 1988. Foi vereador de Boa Vista, governador e deputado federal por vários mandatos. A quarta colocada, a deputada federal Helena da Asatur (PSD), nasceu no Tocantins, mas mora em Roraima desde os 5 anos de idade e também construiu ali sua trajetória pessoal, profissional e política.
Precisa explicar

No evento em Blumenau, Carlos Bolsonaro também fez uma declaração que precisa ser melhor explicada. Ao discursar, afirmou que mora em Santa Catarina desde julho do ano passado. A declaração chama a atenção porque sua renúncia ao mandato de vereador do Rio de Janeiro ocorreu somente em dezembro de 2025. Se Carlos já morava em Santa Catarina desde julho, como afirmou, precisa explicar como conciliava a residência no estado com o exercício do mandato de vereador no Rio de Janeiro. É uma explicação necessária, principalmente para quem se apresenta aos eleitores com o objetivo de representar Santa Catarina no Senado.
Esquerda
A mesma situação de candidaturas importadas acontece em São Paulo. A pedido do presidente Lula (PT), as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) disputam a eleição ao Senado. As duas lideram as pesquisas em uma disputa acirrada com André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (Progressistas). Questionadas por serem candidatas sem uma trajetória política construída em São Paulo, as campanhas têm uma resposta semelhante à apresentada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) quando disputou o governo paulista, mesmo sem ter uma ligação direta com o estado: afirmam que o trabalho realizado como ministras também beneficiou São Paulo.
Flávio em SC

O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), virá ao estado no fim de semana. No sábado (19), estará, às 10h22, na Expoville, em Joinville, e, às 16h22, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nês, em Chapecó. O governador Jorginho Mello (PL), o candidato a vice, Adriano Silva (Novo), e os candidatos ao Senado Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) acompanharão as agendas.
Fux em Florianópolis

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, estará em Florianópolis no dia 30 de outubro. Ele é um dos palestrantes confirmados do Legislativo Experience 2026, promovido pelo Centro de Estudos da Administração Pública (CEAP Brasil). O evento, que será realizado no Hotel Intercity Portofino, terá início no dia 28 e contará com uma programação que reunirá representantes de diferentes áreas ligadas ao funcionamento do Poder Legislativo e da Administração Pública. Ao longo do encontro, vereadores, servidores, autoridades, especialistas e profissionais da comunicação participarão de palestras, workshops e debates sobre questões que têm impacto direto na rotina das câmaras municipais.
15 anos do CEAP Brasil
A edição deste ano também terá um significado institucional para o CEAP Brasil. O Legislativo Experience fará parte das comemorações pelos 15 anos da instituição, período marcado pela atuação na capacitação de mais de 40 mil agentes públicos e profissionais ligados à Administração Pública. “Queremos reunir diferentes perspectivas sobre os desafios que hoje impactam diretamente o Legislativo municipal. A ideia é aproximar discussões jurídicas, políticas, administrativas e tecnológicas em uma programação que dialogue com a realidade de vereadores e servidores”, afirma Luís Paulo Severo, CEO do CEAP Brasil.
Propostas aos candidatos

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) entrega, na próxima sexta-feira (18), a Carta da Indústria aos candidatos ao Governo do Estado João Rodrigues (PSD), Jorginho Mello (PL) e Ralf Zimmer (PRD). O encontro será realizado às 10h, na sede da entidade, em Florianópolis. O documento reúne 88 propostas para os próximos quatro anos, distribuídas em dez áreas: desenvolvimento econômico, inovação, educação, saúde, relações trabalhistas, meio ambiente, logística e infraestrutura, segurança pública, comércio exterior e setores produtivos.
Compromisso
Entre os principais pontos que serão apresentados aos candidatos está a defesa da manutenção da carga tributária. O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, afirma que a entidade buscará o compromisso dos postulantes ao governo de evitar o aumento de impostos. Segundo Seleme, a questão tributária é essencial para garantir um ambiente de negócios competitivo em Santa Catarina. A Carta foi construída a partir de um processo de escuta que envolveu sindicatos industriais, as 16 vice-presidências regionais, os 15 conselhos setoriais e temáticos, além das equipes técnicas da FIESC, SESI, SENAI, IEL e CIESC.
Indeferimento
O Tribunal Regional Eleitoral indeferiu o registro de candidatura a deputado estadual do ex-prefeito de Brusque, Paulo Eccel (PT). Segundo o advogado Artur Pereira, a decisão do TRE ocorreu porque o Superior Tribunal de Justiça ainda não apreciou o pedido para que seja reconhecida a prescrição de uma condenação a dois anos de prisão por crime de responsabilidade. A condenação ocorreu porque Eccel autorizou, em 2012, o uso de maquinário e a realização de serviços de benfeitoria do município, na pista do Clube de Aeromodelismo de Brusque. O advogado do ex-prefeito apresentará recurso ao TSE para tentar garantir a manutenção da candidatura. Eccel informou que seguirá em campanha pelo estado.









