
O vereador Castor (PL) tem usado suas redes sociais para narrar e dar opiniões sobre os últimos acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal. E, em suas avaliações à la “inimigo da sinapse”, no melhor estilo Jair Renan Bolsonaro, tem feito sucesso entre uma parcela do público bolsonarista que passa o dia compartilhando frases feitas que circulam nos grupos de mensagens como se fossem verdades absolutas.
Também é preciso fazer justiça: há quem diga que o vereador tem comprado curtidas, comentários e seguidores. O engajamento em algumas publicações é enorme. No entanto, embora os números sejam atípicos em determinados posts, pela movimentação pública das postagens, o engajamento não parece artificial.
Dito isso, a atuação do vereador nas redes sociais merece atenção. Não pelo que diz — se é contra ou a favor do Supremo, ou mesmo se conhece seus ritos para além de uma visão política distorcida e limitada do todo. A curiosidade reside justamente no seu empenho em produzir vídeos criticando a atuação do STF, enquanto, na CCJ da Câmara, sob sua presidência, foram aprovados uma penca de projetos com dispositivos questionáveis do ponto de vista constitucional e legal — alguns deles, a bem da verdade, corrigidos posteriormente.
E, se você tiver criatividade suficiente para imaginar como a dissonância cognitiva pode gritar diante de um cenário de incoerência, imagine a cena: o vereador, dentro de seu gabinete, grava um vídeo afirmando — inocentemente — que a “casa do Xandão vai cair” pelas mãos do ministro Fachin. Terminada a gravação, segue para a CCJ, que preside, e participa da aprovação de mais um projeto enviado pela prefeita — eventualmente sem ler e sem propor os questionamentos jurídicos e constitucionais que dirige à Suprema Corte.
Metaforicamente, não dá para ser machão nas redes sociais e apanhar da mulher em casa. Não dá para cobrar postura do Supremo — prerrogativa que, em determinadas medidas de responsabilização de seus ministros, cabe ao Senado Federal — enquanto, sob sua direção, a CCJ vira um setor de protocolo da prefeita Carmen Zanotto. Ela mandou? Não importa o conteúdo: assina, carimba e despacha.

