Carmen Zanotto: trabalhar para eleger Jorge Goetten é trabalhar contra Lages


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Jean Carlo Lima

A prefeita de Lages parece não ter aprendido com um episódio recente. Durante a campanha municipal de 2024, uma peça publicitária de Carmen Zanotto dizia: “Não acredite nas fake news dos adversários”. No mesmo material, Geovania de Sá, hoje no Republicanos, afirmava que os recursos do mandato que assumiria no lugar de Carmen na Câmara dos Deputados, em 2025, estariam garantidos para Lages.

Mas, até agora, os recursos prometidos não chegaram ao município por meio do mandato da atual deputada. Carmen, hoje também no Republicanos, decidiu apoiar Jorge Goetten e mobilizar a estrutura da prefeitura para garantir a ele uma votação expressiva. Geovania, que, por sua vez, conta com cabos eleitorais em Lages, ficou de lado. Sem os recursos prometidos, acabou também a parceria.

Por isso, acreditar que Goetten retribuirá com recursos os votos recebidos em Lages é repetir a aposta feita em 2024. O risco de Lages ficar sem qualquer contrapartida pode ser ainda maior desta vez. Goetten busca a reeleição, tem sua própria base eleitoral e já possui compromissos políticos a cumprir.

O apoio ostensivo a Goetten pode cobrar um preço alto da prefeita de Lages. Nos últimos dias, aumentaram a presença de apoiadores do deputado nas ruas e a circulação de materiais de campanha com a foto de Carmen Zanotto e até um texto assinado por ela. Justiça seja feita: o texto não apresenta qualquer compromisso de Goetten com a cidade. Ainda assim, Carmen coloca seu capital eleitoral a serviço de um candidato de fora.

Ao tomar essa decisão, a prefeita colocou uma bomba-relógio no próprio colo. A contagem regressiva já começou: faltam dez dias para a eleição.

Raimundo Colombo, candidato a deputado federal, precisa de uma arrancada expressiva em Lages. O apoio de Carmen a Jorge Goetten pode tirar força dessa votação. Se o ex-governador ficar fora da Câmara por uma margem pequena, a prefeita terá de explicar por que trabalhou para levar votos de Lages a um candidato de outra região.

Até 4 de outubro, há um fato: ao assumir a Prefeitura, Carmen abdicou de seu mandato de deputada federal e dos recursos inerentes a ele. Se sua escolha atual for determinante para manter a Serra sem representação no Congresso, será mais um prejuízo para Lages a entrar na conta da prefeita.