
Mais uma vez, a Câmara de Vereadores, vulgo setor de protocolo da prefeitura, é chamada a endossar a política orçamentária do governo Carmen Zanotto: desvestir um santo para vestir outro.
Foi encaminhado à Câmara de Lages o Projeto de Lei nº 0100/2026, que autoriza a retirada de R$ 900 mil da dotação destinada à manutenção das ações da Secretaria de Obras e Infraestrutura. O valor será acrescentado ao orçamento de manutenção das atividades da Fundação Municipal de Esportes.
Na exposição de motivos, a prefeitura diz que a mudança é necessária para a realização da Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc) e para o custeio das atividades da fundação. Lages sediará a competição de 6 a 18 de outubro, com a participação de atletas de 14 a 16 anos.
A justificativa, porém, ocupa poucas linhas e deixa perguntas essenciais sem resposta. Quanto dos R$ 900 mil será usado na Olesc e quanto irá para as despesas habituais da fundação? Que gastos estão previstos para a competição? E quais despesas da Secretaria de Obras poderão deixar de ser atendidas?
O projeto não aponta o cancelamento de uma obra específica. O dinheiro sai de uma rubrica de outras despesas correntes, vinculada à manutenção das ações da secretaria. Ainda assim, transferir R$ 900 mil de uma área para outra é uma escolha de prioridades que precisa ser explicada à população.
É nesse ponto que a Câmara deve cumprir seu papel. Antes de votar, os vereadores precisam pedir o detalhamento dos gastos e verificar o efeito da redução no orçamento de Obras. A Olesc tem importância para o esporte e para os jovens atletas, mas isso não dispensa a prefeitura de prestar contas. Aprovar o remanejamento apenas com a justificativa genérica enviada pelo Executivo seria carimbar o pedido sem examinar suas consequências.

