Saúde de Lages: Quase 2.500 pessoas esperam por fisioterapia; fila não anda e clínicas credenciadas ameaçam fechar portas


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Jean Carlo Lima

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A situação da saúde pública municipal em Lages enfrenta momentos de extrema gravidade no setor de reabilitação. Segundo dados recentes extraídos do sistema SISREG, a fila de espera para agendamento de sessões de fisioterapia disparou, alcançando a marca alarmante de quase 2.500 pacientes aguardando atendimento.

Os registros apontando picos de rápida aceleração, somando centenas de novos nomes em poucos dias e chegando a cerca de 1.884 a 2.450.  Enquanto os números da fila crescem de forma vertiginosa, proprietários de clínicas e profissionais da área relatam um cenário de colapso financeiro. O principal gargalo apontado pelo setor é o valor repassado pelo município: apenas R$ 11,00 por uma sessão de 40 minutos de atendimento especializado.

Para clínicas que dependem majoritariamente da tabela pública, algumas tendo até 95% do faturamento vinculado ao SUS, conta não fecha. “Não vale a pena ter uma clínica, ter funcionários e ver as pessoas sem tratamento. Está ficando quase impossível trabalhar dessa forma”, desabafa um dos profissionais da área, que relata temer mais um final de ano caótico e o risco real de “fechar as portas” caso o cenário permaneça inalterado. 

Pacientes “sumidos” e o medo de represálias


O reflexo da demora na fila, onde alguns pacientes chegam a esperar meses sem uma perspectiva concreta de encaixe, tem gerado um fenômeno preocupante: os pacientes estão “sumindo” das clínicas. O represamento faz com que pessoas em situação de vulnerabilidade social, que necessitam urgentemente de reabilitação motora e ortopédica, fiquem desassistidas por falta de vagas e celeridade no sistema. 
Profissionais relatam ainda que muitos beneficiários evitam vir a público denunciar a situação por medo de sofrer retaliações ou atrasar ainda mais os seus processos de atendimento na rede municipal. 

Com cerca de 15 clínicas atualmente credenciadas no município dividindo o fluxo, o descontentamento é geral com a defasagem dos repasses e a incapacidade do sistema de escoar a demanda reprimida.

A situação atual demanda uma intervenção urgente do poder público municipal, a fim de reajustar os valores repassados, garantir a viabilidade financeira das clínicas parceiras e, sobretudo, devolver a dignidade e o direito à saúde para os milhares de lageanos que seguem aguardando na fila.